O título em francês deste post é uma homenagem a origem da Teoria da Perda de uma Chance Cura ou sobrevivência, a qual deve ser analisada sobre dois focos distintos. O primeiro refere-se ao emprego de referida teoria apenas como, praticamente, mais uma adjetivação para atuar negligente, imprudente ou imperito, vale dizer, há comprovadamente um agir culposo que, por consequência, tira uma determinada chance do indivíduo ( paciente ) de certo tratamento, por exemplo, vindo a lhe causar um mal. Portanto, nesse caso hipotético, há efetivamente um dano, um nexo causal e, portanto, configura-se a responsabilidade civil do ente de saúde, nascendo aí, o dever de indenizar.

O segundo foco, porém – que é o alvo central do estudo deste capítulo – não pode ser visto nem encarado com naturalidade, sob pena do desaparecimento da Instituição Médica. Para adentrar nesse campo, mister se faz, ainda que de forma antecipada, mencionemos alguns pontos importantes sobre a teoria da perda de uma chance traz um aspecto de : a) reprovação da conduta do profissional mesmo sem culpa; b) responsabilização mesmo sem dano; c) a perda de uma chance é o próprio dano; d) surgimento do dever de indenizar sem existência de nexo causal; e) aparecimento, então, de um nexo causal virtual, o que para os franceses seria causalité virtuelle.

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